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  • O valor de saber ler  mais
  • Relação entre linguagem falada e linguagem escrita mais
  • Perspectiva histórica  mais
  • À Procura de uma definição  mais
  • Teorias explicativas  mais
  • Prevalência, distribuição por sexos, persistência ao longo da vida mais
  • Comorbilidades mais
  • Quais as competências necessárias para aprender a ler e a escrever? mais
  • Quais as dificuldades experimentadas por algumas crianças? mais
  • Referências mais
  • Bibliografia Recomendada mais
 

O valor de saber ler


Na sociedade actual a competência leitora é uma das mais importantes competências cognitivas e comunicativas. A leitura é o “veículo” que permite o acesso a todos os outros saberes, quem não tiver um nível aceitável de literacia não poderá acompanhar a rápida evolução dos conhecimentos científicos e tecnológicos, a sua vida profissional e pessoal será seriamente prejudicada, correndo sérios riscos de marginalização.
Porque o baixo nível de capacidade leitora - a Perturbação da Leitura e da Escrita, Dislexia e Disortografia - afecta seriamente todas as áreas da vida pessoal, o conhecimento das suas causas, dos processos cognitivos envolvidos na sua aquisição e dos métodos de ensino mais eficientes, são um desafio urgente que se coloca a todos os responsáveis pelo ensino: governantes, investigadores, médicos, professores das escolas superiores de educação, educadores, professores e pais.
Ensinar as crianças a ler, a escrever e a expressar as suas ideias com clareza, são das mais importantes funções dos professores.
Contrariamente à linguagem oral, a aprendizagem da leitura não emerge naturalmente, necessita de ser ensinada explicitamente. Quando as crianças iniciam a escolaridade as expectativas de todos os intervenientes envolvidos no processo de aprendizagem são enormes. A grande maioria das crianças realiza esta aprendizagem sem esforço e com prazer, porém, cerca de 5 a 10 por cento, manifestam dificuldades inesperadas e persistentes que geram sentimentos de surpresa, incompreensão e sofrimento.
Até há poucos anos a origem desta dificuldade era desconhecida, era uma incapacidade invisível, um “mistério” que gerou mitos, preconceitos e estigmas que acompanharam e ainda acompanham, muitas crianças, jovens e adultos.
A tomada de consciência desta dificuldade, inesperada e incompreensível, incentivou a realização de inúmeras investigações com o objectivo de encontrar uma explicação cognitiva e neurocientífica para os processos mentais envolvidos na aprendizagem da leitura e da escrita. Desses estudos emergiu a recém designada “Ciência da Leitura”, que se desenvolveu apoiada nos conhecimentos da psicologia cognitiva e das neurociências.
Os resultados desses estudos têm-se revelado extremamente úteis permitindo responder a diversas questões: Quais as diferenças entre linguagem falada e linguagem escrita? Quais as competências necessárias para aprender a ler e que necessitam ser ensinadas explicitamente? Quais as dificuldades experimentadas por algumas crianças? Quais os princípios orientadores dos métodos de ensino que provaram ser mais eficientes?
Este artigo propõe-se sumariar os resultados dos recentes estudos sobre Dislexia e a nova Ciência da Leitura.
O seu objectivo é contribuir para um conhecimento actualizado desta perturbação, alertar e sensibilizar para os sinais indiciadores de futuras dificuldades, incentivar a avaliação e intervenção precoce, em síntese, prevenir o insucesso antes de acontecer.
A intervenção é um desafio que se coloca a todos os responsáveis pelo desenvolvimento infantil e aprendizagem: médicos, psicólogos, investigadores, professores das escolas superiores de educação, professores, pais e governantes.
Os resultados dos estudos recentemente publicados pela OCDE, sobre o nível de literacia e o sucesso escolar, colocam Portugal nos últimos lugares constituindo mais um sinal de alerta e preocupação.
Este artigo pretende ser um contributo para a sinalização e orientação das crianças em risco, ou com dificuldades, nesta aprendizagem tão determinante no percurso das suas vidas.


Relação entre linguagem falada e linguagem escrita


Falar, ouvir, ler e escrever são actividades linguísticas, a linguagem escrita é uma competência que se apoia na linguagem falada e entre ambas existe uma relação de influência recíproca. Apesar da relação de interdependência e reciprocidade entre a linguagem falada e a linguagem escrita, entre ambas existem, enormes diferenças, não só a nível dos processos cognitivos envolvidos que lhe estão subjacentes, mas também a nível filogenético e ontogenético.
A nível filogenético existe uma enorme distância temporal A linguagem falada emergiu, há cerca de 50 mil anos, como o modo de comunicação dominante entre o Homo Sapiens. Em todas as comunidades o homem desenvolveu a linguagem oral para comunicar, mas nem todas as linguagens orais têm formas de linguagem escrita. Existe uma predisposição biológica para a linguagem oral, a linguagem é inata.
A linguagem escrita é uma competência muito recente na história da humanidade, é um produto da sua evolução histórica e cultural, não faz parte do nosso património genético, não existe no nosso cérebro um módulo específico para a leitura. Para ler o homem tem que utilizar o que a natureza lhe proporcionou “um módulo biológico para a linguagem”.
A escrita logográfica surgiu há cerca de 5 mil anos. Os mais antigos percursores, conhecidos, do alfabeto latino são de origem semítica, e terão surgido há cerca de 3500 anos, na Mesopotâmia.
A nível ontogenético também a linguagem falada precede a linguagem escrita, as crianças aprendem as primeiras palavras por volta dos doze meses de idade, e só iniciam a aprendizagem da leitura, por volta dos cinco ou seis anos, quando iniciam a escolaridade.
A linguagem falada é adquirida naturalmente, decorre de uma predisposição biológica. As vocalizações, as palavras, as frases e a fluência verbal surgem na mesma sequência em prazos cronológicos idênticos. A espécie humana possui um processamento fonológico implícito, ou automático, isto é sem atenção consciente e sem esforço, que permite estabelecer relações entre os sons da fala e o seu significado. Aprende-se a falar naturalmente sem necessidade de ensino formal, explícito.
A Linguagem Escrita foi inventada pelo homem, não segue um processo biologicamente determinado, utiliza códigos específicos para representar a fala. Estes códigos não são aprendidos naturalmente, necessitam de ser ensinados explicitamente, formalmente. Para aprender a ler, numa escrita alfabética, é necessário tornar explícito, tornar consciente, o que na linguagem oral é um processo cognitivo implícito, inconsciente.
Entre a linguagem falada e escrita verificam-se também diferenças a nível da forma de produção, da influência do contexto, da gramática, do vocabulário e do grau de explicitação.
Na linguagem oral a comunicação é dinâmica, efémera, existe apenas no momento em que é produzida, o interlocutor está presente, na maior parte das situações ocorre face a face, tem numa sequência temporal, processa-se através de sons auditivos contínuos.
Na linguagem escrita a comunicação é estática, permanente, o interlocutor está ausente, processa-se no espaço, utilizando símbolos gráficos.
O conteúdo linguístico na linguagem falada é enriquecido por informações adicionais dadas pela entoação, pela expressão verbal e pelas diversas possibilidades fonológicas de cada símbolo, na linguagem escrita as informações, contidas em cada símbolo do alfabeto, são limitadas.



Perspectiva histórica


A palavra “Dislexia” deriva do Grego, o prefixo “dys”, que significa dificuldade e “lexis” palavra escrita.
Em 1887, o termo “Dislexia”, foi usado pela primeira vez, pelo oftalmologista alemão, Berlin, para descrever o caso de um paciente adulto que, após um acidente vascular cerebral, perdeu a capacidade leitora, apesar de ter mantido a visão, a linguagem e a inteligência.
Em 1896, o pediatra inglês, Pringle-Morgan, usou o termo “Cegueira Verbal Congénita”, para descrever o caso de um jovem de 14 anos que, apesar de ser inteligente, apresentava uma incapacidade para a linguagem escrita. (Pringle-Morgan, W. 1896)
Em 1917, o oftalmologista escocês, Hinshelwood, publicou uma monografia sobre esta perturbação. Considerou que a designação de “Cegueira Verbal” deveria ser reservada para os casos muito severos e propôs o termo “Dislexia Congénita” para os casos mais leves.
Nos anos 20, o conceito de “Disfunção Cerebral Mínima”, veio afectar a categorização das crianças com problemas de aprendizagem. A dislexia foi incluída num amplo conjunto de perturbações do desenvolvimento denominadas “Dificuldades de Aprendizagem”. Este conjunto de perturbações incluía a dislexia, hiperactividade, défice de atenção, perturbações cognitivas, perceptivas, psicomotoras... Este conceito globalizante de “Dificuldades de Aprendizagem” criou sérios obstáculos à investigação sobre a etiologia, diagnóstico, prevenção e terapêutica, não só em relação à dislexia, mas também em relação a todas as outras perturbações do desenvolvimento.
Em 1937, o neurologista americano, Samuel Orton, desenvolveu um trabalho de grande relevância, tendo as suas descobertas apresentado perspectivas inovadoras. Inicialmente pensou que esta dificuldade seria causada por um problema no sistema visual (os sinais mais evidentes na dislexia manifestavam-se na escrita: substituições de letras, erros de sequência...), tendo utilizado o nome de “Estrefossimbolia”. Posteriormente, apercebeu-se da relação entre a dislexia e a linguagem oral, passou a utilizar a designação de “Alexia do Desenvolvimento”, e preconizou a necessidade de uma intervenção terapêutica “individualizada, multissensorial, estruturada, sistemática, sequencial e cumulativa”.
Em 1949, em homenagem a Orton, foi fundada a “Orton Dyslexia Association”, percursora da actual “Internacional Dyslexia Association”. Esta associação tem tido um contributo muito importante na investigação e divulgação dos conhecimentos científicos.
Nos anos 30 e 40 verificou-se um deslocamento das perspectivas neurológicas para as áreas educacionais e sociais. As dificuldades leitoras passaram a ser entendidas no quadro de problema social, e não no quadro de um problema médico.
Nos finais dos anos 40 e nos anos 50 o “Instituto de Cegos para as Palavras”, de Copenhaga, começou a estudar, de um modo mais sistemático, as causas da dislexia e a implementar programas reeducativos. Em 1950, Hallgren realizou vários estudos de famílias com dificuldades de leitura e escrita e criou a designação de “Dislexia Constitucional”. (Hallgren, B. 1950)
Nos anos 60, sob a influência das correntes psicodinâmicas, e da pedagogia activa, foram minimizados os aspectos biológicos da dislexia. As dificuldades leitoras foram atribuídas a “imaturidade”, problemas emocionais, afectivos e pedagógicos, o que constituiu mais um obstáculo, não só à investigação, mas também à implementação de programas reeducativos eficientes.
Nos anos 70 os psicolinguístas identificaram a estreita relação entre a linguagem escrita e a linguagem falada. A hipótese da existência de um “défice linguístico”, a nível do processamento fonológico, começou a tomar forma. Os resultados dos diversos estudos mostraram que as crianças com dislexia revelavam dificuldades em relacionar o nome das letras com os seus sons, sendo este um pré-requisito crucial para a descodificação das palavras escritas.
Em 1992, Hulme e Snowling definiram a dislexia como “parte de um contínuo das perturbações de linguagem, caracterizada por um défice no processamento verbal dos sons”.
Nas últimas décadas os estudos realizados com as modernas tecnologias de imagem, Ressonância Magnética Funcional, (fMRI) permitiram observar o funcionamento cerebral durante as actividades de leitura. Os resultados desses estudos vieram proporcionar uma prova visível e incontornável, da existência de uma “Perturbação da Leitura e Escrita - Dislexia e Disortografia”, perturbação de génese neurobiológica, causada por um défice no funcionamento das zonas cerebrais intervenientes nas actividades de leitura, um défice fonológico.
Os resultados apresentados por Sally Shaywitz, neurocientista da Universidade de Yale, em “Overcoming Dyslexia”, 2003, têm sido consistentes com os resultados dos estudos de muitos outros cientistas como Bradley, Bryant, Uta Frith, Hulme, Snowling, Torleiv Hoien, Lundberg...
Paradoxalmente, apesar de todo um conjunto de estudos neuroanatómicos, neurocognitivos e genéticos comprovarem a existência da dislexia, verifica-se uma situação absurda e inexplicável: alguns professores, médicos e psicólogos continuam a negar a sua existência. Esta situação, incompreensível, tem dificultado a divulgação do conhecimento científico e prejudicado seriamente as crianças disléxicas, impossibilitando-as de receberem uma intervenção educativa especializada e adequada às suas dificuldades específicas.


À Procura de uma definição


Desde que a dislexia mereceu a atenção da comunidade científica, o próprio termo em si, bem como a sua definição, tem sido uma questão recorrente.
Em 1968 a Federação Mundial de Neurologia, decidiu-se pela adopção do termo Dislexia do Desenvolvimento e elaborou a seguinte definição:
“Uma perturbação que se manifesta por dificuldades na aprendizagem da leitura, apesar das crianças serem ensinadas com métodos de ensino convencionais, terem inteligência normal e oportunidades socio-culturais adequadas. Os problemas são causados por défices cognitivos básicos que são frequentemente de origem constitucional”.
Embora esta definição corresponda à experiência e conhecimentos da grande maioria dos educadores apresenta o inconveniente de não referir critérios de inclusão. A ausência de critérios de inclusão tem repercussões negativas a dois níveis: a nível prático limita a sua utilização, pois que dificulta o diagnóstico e a consequente implementação de programas reeducativos; a nível do enquadramento legal, o reconhecimento da dislexia, como um défice cognitivo básico, um défice cognitivo-linguístico, sem critérios precisos de inclusão, dificulta a categorização dos alunos disléxicos prejudicando a adopção das medidas reeducativas adequadas.
Em 1994, o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, DSM IV, inclui pela primeira vez, a dislexia nas perturbações de aprendizagem, utiliza a denominação de Perturbação da Leitura e da Escrita e estabelece os seguintes critérios de diagnóstico:
A. O rendimento na leitura/escrita, medido através de provas normalizadas, situa-se substancialmente abaixo do nível esperado para a idade do sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade.
B. A perturbação interfere significativamente com o rendimento escolar, ou actividades da vida quotidiana que requerem aptidões de leitura/escrita.
C. Se existe um défice sensorial as dificuldades são excessivas, em relação às que lhe estariam habitualmente associadas.
A utilização, pelo DSM IV, de “critérios de discrepância” em relação ao nível cognitivo é contestada por diversos autores.
Fletcher (1994) defende que “se para se estabelecer o diagnóstico de dislexia se requer uma discrepância entre o quociente de inteligência e o nível leitor então, existem dois grupos distintos de maus leitores: um grupo de maus leitores inteligentes, “leitores com dislexia” e um grupo de maus leitores com funcionamento intelectual deficitário “leitores com baixo nível de inteligência”. Os resultados de diversos estudos têm mostrado que o défice a nível fonológico e ortográfico não difere nos dois grupos, sendo portanto independente do quociente de inteligência.
Em 2000, Hoien e Lundberg apresentaram a seguinte definição de dislexia: “Dislexia é uma perturbação em certas funções da linguagem que são importantes para a utilização do princípio alfabético na descodificação das palavras. Esta perturbação surge, inicialmente, como uma dificuldade na descodificação automática das palavras no processo de leitura. A perturbação também se manifesta na capacidade de escrita pobre. A perturbação disléxica é geralmente de transmissão familiar e pode pensar-se que existe uma disposição genética. Outra característica da dislexia é a sua persistência ao longo da vida. Embora a capacidade de leitura possa atingir um nível aceitável as dificuldades de ortografia mantêm-se, na maioria dos casos. A realização de testes de competências fonológicas permite verificar que esta incapacidade persiste ao longo da vida adulta”
De uma maneira mais simples definem dislexia como: “Uma perturbação persistente na descodificação da linguagem escrita que tem a sua origem num défice no sistema fonológico”.
Tal como na definição do DSM IV, referem que a dislexia é uma “dificuldade significativa na descodificação das palavras e na escrita que tem na sua origem um défice a nível do sistema fonológico”, mas não a definem com base em “critérios de discrepância”. Para estes autores, tal como para Fletcher e Siegel, as pessoas podem ser disléxicas independentemente da sua capacidade intelectual. Há pessoas com elevados níveis intelectuais que têm dislexia, tal como há pessoas menos dotadas que não têm quaisquer dificuldades em adquirir boas competências de descodificação. Os estudantes com baixas capacidades cognitivas, défices sensoriais, ou perturbações emocionais, também podem ter dislexia, nestes casos os défices extra irão exacerbar os problemas de leitura.
Em 2002, Uta Frith, apresenta uma perspectiva que tem em consideração o contexto cultural e refere que o critério das manifestações sintomáticas, só por si, parece não ser um critério adequado para definir a dislexia ao longo da vida. Tal como os comportamentos se modificam ao longo do tempo, também os sintomas da dislexia melhoram com a aprendizagem e as intervenções compensatórias, apesar de o défice fonológico, que lhe está subjacente, persistir ao longo da vida. Apresenta a seguinte definição:
“Dislexia é uma desordem neuro-desenvolvimental, que existe desde o nascimento, com diferentes manifestações ao longo do desenvolvimento”. Os conhecimentos acumulados nos diversos estudos sobre dislexia indicam que a dislexia não é uma perturbação que aparece na idade escolar e que desaparece na vida adulta, não é uma preocupação exclusiva da infância, é um “fardo” que se tem que carregar por toda a vida.
Em 2003, a “Associação Internacional de Dislexia”, em colaboração com os investigadores do “National Institute of Child Health and Human Development”, desenvolveu uma definição para a dislexia:
“Dislexia é uma incapacidade específica de aprendizagem, de origem neurobiológica. É caracterizada por dificuldades na correcção e/ou fluência na leitura de palavras e por baixa competência leitora e ortográfica. Estas dificuldades resultam de um Défice Fonológico, inesperado, em relação às outras capacidades cognitivas e às condições educativas. Secundariamente podem surgir dificuldades de compreensão leitora e experiência de leitura reduzida que pode impedir o desenvolvimento do vocabulário e dos conhecimentos gerais”.
Esta definição vem evidenciar que a principal característica da dislexia são as dificuldades a nível da leitura e da ortografia, sendo essas dificuldades originadas por um défice fonológico, estando intactas todas as outras competências cognitivas.
Começa a emergir um consenso em relação a uma definição mais abrangente de dislexia:
“Dislexia é uma perturbação neuro-desenvolvimental, de origem biológica, com impacto no processamento da linguagem, que envolvem uma série de manifestações clínicas. Existem provas da existência de uma base genética e cerebral e é evidente que as manifestações se estendem para além dos problemas a nível da linguagem escrita”.
A influência dos factores ambientais é muito importante, há contextos em que a perturbação quase não transparece, enquanto que noutros é geradora de grande sofrimento. Existe grande variabilidade intra e inter-individual e, como já foi referido, a dislexia, situa-se num contínuo de dificuldades desde as mais ténues às mais severas.
O modelo de distribuição da dislexia, tendo como base os estudos realizados em populações escolares, mostram que a dislexia segue o modelo da curva normal, existindo uma continuidade entre população disléxica e não disléxica.
Segundo este modelo, tal como acontece com muitas outras doenças, como a hipertensão e a obesidade, não é possível estabelecer limites precisos. A dislexia é uma entidade sem limites claramente definidos, existindo dificuldades leitoras com diferentes graus de severidade.



Teorias explicativas


Como tem sido referido as causas da dislexia, bem como o próprio reconhecimento desta perturbação, têm suscitado, ao longo dos anos, inúmeras controvérsias. Os recentes estudos, utilizando as modernas técnicas de imagem, realizados por especialistas de diversas áreas científicas, têm sido convergentes, quer em relação à sua origem genética e neurobiológica, quer em relação aos processos cognitivos que lhe estão subjacentes. Têm sido formuladas diversas teorias explicativas:
A Teoria do Défice Fonológico é a teoria com maior aceitação na comunidade científica.
Esta teoria postula que a dislexia é causada por um défice no sistema de processamento fonológico, motivado por uma “disrupção” no sistema neurológico cerebral, a nível do processamento fonológico
Este Défice Fonológico dificulta a discriminação e processamento dos sons da linguagem, a consciência de que a linguagem é formada por palavras, as palavras por sílabas, as sílabas por fonemas e o conhecimento de que os caracteres do alfabeto são a representação gráfica desses fonemas.
A leitura integra dois processos cognitivos distintos e indissociáveis: a “descodificação” (a correspondência grafo-fonémica) e a “compreensão” da mensagem escrita. A compreensão de um texto só é possível após a sua descodificação, isto é após a transformação, pelo leitor, dos símbolos gráficos em fonemas, sílabas, palavras com sentido.
O défice fonológico afecta unicamente a descodificação, todas as competências cognitivas superiores necessárias à compreensão estão intactas: a inteligência geral, o vocabulário, a sintaxe, o discurso, o raciocínio e a formação de conceitos.
Sally Shaywitz et al, (1998) utilizaram a (fMRI) para estudar o funcionamento do cérebro durante as tarefas de leitura e identificaram três áreas, no hemisfério esquerdo, que desempenham funções chave no processo de leitura: o girus inferior frontal, a área parietal-temporal e a área occipital-temporal.


A região Inferior Frontal é a área da linguagem oral. É a zona onde se processa a vocalização e articulação das palavras, onde se inicia a análise dos fonemas. A subvocalização ajuda a leitura fornecendo um modelo oral das palavras. Esta zona está particularmente activa nos leitores iniciantes e disléxicos.
A região Parietal Temporal é a área onde é feita a análise das palavras. É a zona onde se processa a análise das palavras, a correspondência grafo-fonémica, a fusão fonémica e silábica. Esta leitura analítica processa-se lentamente, sílaba a sílaba.
A região Occipital Temporal é a área para onde convergem todas as informações dos diferentes sistemas sensoriais, e onde se encontra armazenado o “modelo neurológico de cada palavra”. Este modelo contem todas as informações relevantes de cada palavra, integra a ortografia, “como parece”, a pronúncia, “como soa”, o significado, “o que quer dizer”. É a zona onde se processa o reconhecimento visual das palavras, onde se realiza a leitura rápida e automática. Quanto mais automaticamente for feita a activação desta área, mais eficiente é o processo leitor.
Os leitores eficientes utilizam um percurso rápido, automático, para ler as palavras. Activam, simultaneamente, os sistemas neurológicos das três regiões e conseguem ler as palavras instantaneamente, em cerca de 150 milésimos de segundo.
Os leitores disléxicos utilizam um percurso lento e analítico para descodificar as palavras. Activam intensamente o girus inferior frontal, onde vocalizam as palavras, e a zona parietal-temporal onde segmentam as palavras em sílabas e em fonemas, fazem a tradução grafo-fonémica, a fusão fonémica e as fusões silábicas até aceder ao seu significado.
Os diferentes subsistemas desempenham diferentes funções na leitura, o modo como são activados depende das necessidades funcionais dos leitores e variam ao longo do seu processo evolutivo.
As crianças com dislexia apresentam uma “disrupção” no sistema neurológico que dificulta o processamento fonológico e o consequente acesso ao sistema de leitura automática. Para compensar esta dificuldade utilizam mais intensamente a área da linguagem oral, região Inferior Frontal, e as áreas do hemisfério direito que fornecem pistas visuais.
A Teoria do Duplo Défice postula que os disléxicos, para além do Défice Fonológico, apresentam um “Défice na Capacidade de Nomeação Rápida”. Este défice interfere negativamente com a velocidade leitora, constituindo uma dificuldade adicional à dificuldade de descodificação correcta dos grafemas, sílabas e palavras. Os disléxicos que possuem ambos os défices apresentam maiores dificuldades na aquisição de uma leitura correcta, fluente e compreensiva.
A Teoria do Défice de Automatização postula que os disléxicos, apresentam um Défice Generalizado na Capacidade de Automatização. Manifestam dificuldades em automatizar as correspondências fonema-grafema, as fusões fonémicas, as fusões silábicas, as fusões silábicas sequenciais, e as tarefas que implicam a motricidade global, fina e a grafomotricidade. Esta dificuldade generalizada de automatização obriga a um maior treino de leitura a fim de se conseguir adquirir uma leitura correcta, automática, fluente e compreensiva.
A minha experiência na reeducação de alunos disléxicos leva-me a considerar que estas teorias são complementares, a grande maioria dos disléxicos apresentam estes défices, ainda que em diferentes graus de severidade.



Prevalência, distribuição por sexos, persistência ao longo da vida


A dislexia é a perturbação mais frequente entre a população escolar. A prevalência é, contudo, variável dependendo do grau de transparência dos diferentes idiomas
Nos Estados Unidos é referida uma prevalência entre 5% e 17.5 %. No nosso país não existem estudos sobre prevalência mas, tendo em atenção o grau de transparência da língua portuguesa, calcula-se que se situe entre 5% e 10%.
Em relação à distribuição por sexos tem-se verificado uma alteração de resultados ao longo dos tempos. Inicialmente era referida uma maior prevalência no sexo masculino, nos últimos anos passou a ser referida uma distribuição igual em ambos os sexos.
Um estudo realizado por Rutter M., em Abril 2004, volta a referir que o número de rapazes com dislexia é, pelo menos, duas vezes superior ao das raparigas.
Tem sido considerado que o défice cognitivo que está na origem da dislexia persiste ao longo da vida, ainda que as suas consequências e expressão variem sensivelmente.
Os resultados dos estudos realizados com o objectivo de avaliar a manutenção das modificações operadas nos sistemas neurológicos cerebrais, após a intervenção utilizando programas, multissenssoriais, estruturados e cumulativos permitem-nos ter uma esperança. As imagens obtidas através da fMRI mostraram que os circuitos neurológicos automáticos do hemisfério esquerdo tinham sido activados e que o funcionamento cerebral tinha “normalizado” constituindo uma resposta positiva no sentido da “remediação” do funcionamento deficitário.



Comorbilidades


Embora a base cognitiva da dislexia seja um défice fonológico é frequente a comorbilidade com outras perturbações: perturbação da atenção com hiperactividade, perturbação específica da linguagem, discalculia, perturbação da coordenação motora, perturbação do comportamento, perturbação do humor, perturbação de oposição e desvalorização da autoestima.
A perturbação da atenção merece referência especial, por ser a perturbação que se associa com maior frequência. Os estudos de gémeos, mostram uma influência genética comum, já identificada no locus de risco 6p, sendo maior para a dimensão de inatenção do que para a hiperactividade/impulsividade.



Quais as competências necessárias para aprender a ler e a escrever?


Como temos vindo a referir, aprender a ler não é um processo natural. Contrariamente à linguagem oral a leitura não emerge naturalmente da interacção com os pais e os outros adultos, por mais estimulante que seja o meio a nível cultural.
Morais (1997), refere “é corrente confundir a capacidade de leitura, os objectivos da leitura, a actividade da leitura e o desempenho de leitura”. A capacidade de leitura é o conjunto de recursos mentais que mobilizamos para ler, os objectivos da leitura são a compreensão do texto escrito, a actividade de leitura envolve o conjunto de processos cognitivos, sensoriais e motores, e o desempenho de leitura é o grau de sucesso obtido. Ler consiste em transformar as palavras escritas em representações fonológicas com significado.
Os objectivos da leitura são a compreensão do texto escrito, mas os processos cognitivos específicos da leitura não são os processos de compreensão, mas sim os processos de recodificação que se processam antes da compreensão. Os processos de compreensão são comuns à linguagem falada e à linguagem escrita.
Quais os processos que permitem descodificar o código escrito transformando-o numa mensagem compreensível?
Para ler, descodificar o código escrito, é necessário ter o conhecimento consciente de que a linguagem é formada por palavras Consciência Fonológica, as palavras são formadas por sílabas Consciência Silábica, as sílabas são formadas por fonemas Consciência Fonémica, que as letras do alfabeto são a representação gráfica desses fonemas, têm um nome e representam um som da linguagem oral Consciência do Princípio Alfabético.
Para ler, descodificar o código escrito, é ainda necessário saber realizar as Fusões Fonémicas e as Fusões Silábicas Sequenciais, encontrar a pronúncia correcta para aceder ao significado das palavras e para escrever é necessário saber analisar e segmentar as palavras em sílabas e fonemas.
A Consciência Fonológica é uma competência difícil de adquirir, porque na linguagem oral não é perceptível a audição separada dos diferentes fonemas. Quando ouvimos a palavra “pai” ouvimos os três sons conjuntamente e não os três sons individualizados.
O Princípio Alfabético é igualmente difícil devido às irregularidades existentes nas correspondências fonema Û grafema.
Para ler, compreender a mensagem escrita, é necessário descodificar correctamente as palavras, ter uma leitura fluente, isto é, sem atenção consciente e com o dispêndio mínimo de esforço. A capacidade de compreensão leitora está fortemente relacionada com a compreensão da linguagem oral, com o possuir um vocabulário oral rico e com a fluência e correcção leitora.
Escrever não é a operação inversa da leitura, é uma competência com um grau de complexidade muito maior, exige uma dupla descodificação.
Para escrever correctamente é necessário saber identificar as palavras constituintes das frases, saber discriminar os fonemas que formam as palavras, saber segmentar as palavras em sílabas Segmentação Silábica, saber segmentar as sílabas em fonemas Segmentação Fonémica, e saber quais as correspondências fonema-grafema correctas que devem ser utilizadas.
Todas estas competências têm que ser integradas através do ensino e da prática sistemática de actividades de leitura e escrita.



Quais as dificuldades experimentadas por algumas crianças?


Como vimos as dificuldades na aprendizagem da leitura têm origem na existência de um défice fonológico. Embora na linguagem oral utilizem correctamente as palavras, as sílabas e os fonemas algumas crianças não têm o conhecimento consciente destas unidades linguísticas, apresentam um défice a nível da consciência da estrutura fonológica das palavras.
Sendo a leitura a transcrição de um código gráfico para um código fonológico, as dificuldades de identificação e discriminação fonológica reflectem-se negativamente na sua aprendizagem.
As crianças que apresentam maiores riscos de futuras dificuldades na aprendizagem da leitura são as que têm familiares com dificuldades na linguagem oral e escrita, que apresentam desenvolvimento linguístico tardio, dislálias fonológicas, que no jardim-de-infância, na pré-primária e no início da escolaridade apresentam dificuldades na consciência fonológica, silábica e fonémica, na identificação do nome das letras e dos sons que lhes correspondem, dificuldades de memorização dos nomes das cores, das noções temporais.... e do objectivo da leitura.
Para além destas dificuldades verificam-se, com frequência, dificuldades na memória a curto termo, na capacidade de automatização, de nomeação rápida e na capacidade de focalização e sustentação da atenção.
Os factores motivacionais são igualmente importantes no desenvolvimento da capacidade leitora dado que a melhoria desta competência está altamente relacionada com o querer, com a vontade de persistir, pese embora, as dificuldades sentidas e a não obtenção de resultados imediatos.


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